Saber Inglês é Fundamental Versão para impressão

Profissional deve dominar bem a língua inglesa, antes de estudar outro idioma estrangeiro. Uma pesquisa realizada com 25 mil funcionários, de 300 empresas, em 125 países confirma: falar inglês é mais do que uma necessidade, é uma obrigação. O levantamento, realizado pela Global English Corporation, mostra que 76% dos funcionários de corporações globais usam o inglês diariamente em suas funções e, por isso, têm o salário maior do que aqueles que não dominam o idioma.

A pesquisa revelou ainda que apesar de 91% dos entrevistados reconhecerem que o inglês é importante para seu trabalho, apenas 9% declaram ter conhecimento suficiente para realizar suas funções.   "O inglês é a língua de uso comercial que mais cresce no mundo.

É a primeira de cerca de 350 milhões de pessoas e a necessidade do idioma cresce no mundo inteiro. Empresas como HSBC e Gerdau, por exemplo, não contratam funcionários que não falam inglês. Essas empresas exigem que o candidato faça um exame internacional para saber se é fluente no idioma", comenta Lúcio Sardinha.   Treinamento. Entre os muitos desafios enfrentados pelas empresas, o estudo aponta para a necessidade de treinamento ainda maior em inglês para alguns funcionários.   "Neste período de dezembro a fevereiro, quando boa parte das empresas reavaliam seus quadros de funcionários, o inglês é um critério de corte. Quem não fala, está fora. O idioma é tão imprescindível que já fiz recrutamento para diversas empresas onde o funcionário não teria necessidade alguma de falar inglês, mas o empregador só quer contratar quem é fluente. Isso acontece porque muitas empresas têm planos de crescimento a longo prazo, de expansão, quando o uso da língua será importante", explica Sardinha.  De acordo com a opinião do consultor, a fluência no idioma é, para algumas empresas, mais importante que cursos de pós-graduação. A avaliação do nível de inglês é medida através de um exame chamado Toeic (Test of English for International Communication).

Apenas este mês, foram aplicados 150 testes em executivos de todo o País.   "Conheço executivos que não têm formação acadêmica brilhante, mas que falam inglês brilhantemente e já vi diretores financeiros com ótimo currículo e salários de R$ 25 mil serem substituídos por não falarem inglês. Periodicamente, as empresas, sobretudo as que oferecem cursos de línguas para os funcionários, pedem para que seus executivos façam o Toeic. Este teste mede a habilidade de comunicação de uma pessoa durante uma reunião de negócios. Muita gente até acha que sabe falar inglês por ter concluído um curso há alguns anos, mas sem prática, o curso para quase nada serve", reforça.   Dificuldade.

 

A dificuldade dos executivos com a fluência no inglês é antiga conhecida do argelino Hamid Gallede. Professor de inglês, francês e árabe para executivos de empresas como a Companhia Vale do Rio Doce, ele conta que é comum encontrar alunos com dificuldade de vocabulário, sobretudo quando o tema em questão é específico.   "Dou aulas para diretores de grandes multinacionais e quase todos me pedem para ajudá-los com tradução de e-mails e orientação para viagens de negócios. Nas aulas de árabe, a dificuldade é maior porque a escrita é da direita para a esquerda e o alfabeto é diferente. É mais difícil do que dar aulas para uma criança que nunca foi à escola. No caso do francês, a maior dificuldade é com a gramática e as conjugações verbais. No inglês, as áreas técnicas são as mais complicadas", explica Gallede.   Segundo Robson Castro, diretor executivo da Agnis Recursos Humanos, "a importância de se falar e compreender bem o inglês é hoje uma exigência nos processos de seleção". Para o consultor, antes de investir em outro curso de línguas, como espanhol ou francês, o profissional deve ter domínio completo do inglês.   "Uma pessoa que fale fluentemente o inglês tem um nível de empregabilidade maior. Não aconselharia uma pessoa que não fale bem o inglês a procurar outro curso. Não adianta saber um pouco de tudo, é preciso saber bem, nem que seja apenas o inglês", explica.   Inglês em primeiro lugar. Atendendo às necessidades do mercado de trabalho, Liliane Selouan, gerente de Comunicação da Ampla, distribuidora de energia elétrica para cidades do estado do Rio de Janeiro, concluiu primeiro o curso de inglês e só se empenhou em aprender o espanhol por exigência da empresa - a Ampla pertence ao grupo espanhol do setor de energia Endesa.   

 

"A Ampla forma grupos de estudos de espanhol e oferece aula duas vezes por semana. Hoje, temos 71 funcionários estudando espanhol e 15 concluindo o inglês aqui dentro da empresa mesmo. Já concluí meus estudos e isso foi muito importante para mim. As aulas com os funcionários são mais técnicas do que as de cursos regulares: aprendemos o vocabulário do setor energético, a linguagem própria destes negócios. Estamos ligados a um grupo espanhol e quase todos os dias uso o idioma. Na semana passada, recebi um grupo de 16 pessoas do Chile. Se não dominasse a língua, estaria perdida", concluiu.   

 

Necessidade do empregador fala mais alto É imprescindível perceber a necessidade do empregador na hora de escolher os idiomas estrangeiros que se vai estudar. Regiões de atuação e segmento de negócios influem nessa necessidade, segundo Robson Castro, diretor executivo da Agnis Recursos Humanos. No Brasil, por conta da proximidade com países de colonização espanhola e da integração de negócios a partir do Mercosul, o espanhol passou a ter uma importância maior.   

 

"Quem já domina o inglês deve procurar um curso de espanhol ou, dependendo do interesse da empresa e do tipo de negócio dela, um curso de francês. Esses três são os mais importantes", afirma Castro.   Pensando no longo prazo o cenário de globalização dos negócios, o consultor recomenda ainda o aprendizado do mandarim, principal idioma da China. "O mandarim não só é a língua mais falada no mundo, mas certamente, em 10 anos, o cenário mundial será outro. Hoje, o mandarim não é um idioma comercial, até os chineses negociam em inglês, mas isso deve mudar. Quem tiver interesse deve começar a aprender já. O mandarim é uma língua difícil, que requer cerca de oito anos de estudo para que se comece a entender alguma coisa", alerta o consultor.   

 

Fonte: Fonte: Jornal do Commercio – Brasil - Seu Dinheiro / Carreiras